TUCANO: UMA AVE BELA E EXÓTICA

 

Com seu bicão colorido e enorme, o Tucano é uma das aves mais chamativas.

Olhos redondos como duas contas, o corpo comprido com patas relativamente curtas, sustentando um enorme e colorido bico, dão uma aparência realmente exótica a esta ave. Bastante leve por ser oco, seu bico é poderoso, constituído de lâminas ósseas, que o tornam sólido e resiste.
Muitas aves, até as de rapina, não se atrevem a enfrentar o Tucano. Acredita-se que as cores vivas de seu bico servem para intimidar. Com ele, consegue também apanhar delicadamente frutinhas nas pontas de ramos finos que não agüentam seu peso. Além de frutas, come insetos. Pega o alimento, sempre em pequenos pedaços na ponta do bico encostando sua língua comprida para experimentá-lo. Em seguida, faz um movimento rápido erguendo o bico e abrindo-o de forma que a comida caia diretamente em sua garganta.
Vive em bandos ruidosos de dez indivíduos que se deslocam em vôos retos e levemente ondulados de uma árvore a outra. Costuma tomar banho na chuva, mas na seca tende a procurar água em outros locais para banhar-se. Se comunica com um som rouco. Há 37 espécies que habitam da América do Sul a Central. Dentre elas, há os grandes, como o Tucano-de-bico-verde(1) e o toco(2); pesados como o de peito branco (maior).
Dormem em buracos de árvores (nelas fazem seus ninhos). Nessas horas, têm uma pose curiosa - dobram a cauda por cima do dorso, viram a cabeça para trás e enfiam o bico debaixo da asa.
Em cativeiro, costumam se aproximar do homem, dando poderosas bicadas em quem puser as mãos. Mas podem ser amansados até quando adultos. Daí deixam ser pegos, sobem em nossos ombros e pegam com o bico, delicadamente, nosso cabelos. A maneira adequada de amansá-los é oferecer-lhes diariamente comida, fazendo com que a retirem de nossas mãos. Habituam-se a viver em cativeiro ou soltos com as asas cortadas.

FICHA

Alimentação em cativeiro: diariamente, frutas picadas (1x1cm) maduras e consistentes para facilitar a queda na garganta. Acrescentar ração para cães (unidades de até 1cm) ou carne bovina, moída e crua na proporção de 10%. Não dê ração de galinha (indigerível). Vasilhas com água fresca à vontade.
Instalações: viveiros arborizados feitos com armação de ferro ou concreto, revestidos com telas de arame. Metade coberto com telhas de qualquer tipo, onde deve estar um poleiro (de 3cm de diâmetro para Tucanos grandes e de 2,5cm para pequenos) e uma caixa de madeira (para dormir e eventual reprodução) com buraco de entrada, de forma que passe apenas um Tucano, e de tamanho que possa se mexer dentro. Na outra metade, o solarium com mais um poleiro. Debaixo de cada poleiro, bandejas com areia para reter os excrementos e deixar o local mais limpo. Piso cimentado com inclinação mínima de 5% para escoar lavagem da sujeira. Fechar o fundo e 1m de extensão das laterais desde o piso até em cima com madeira, plástico ou alvenaria criando ambiente protegido de correntes de ar (é sensível ao vento). Para um casal grande (toco ou bico-verde), viveiro de 5x2m com 2 m de altura. Bacia grande com água para banharem-se, especialmente nos dias em que não chover e não estiver frio.
Reprodução: difícil em cativeiro. Não se sabe a causa. Há notícias de 12 casos de sucesso no mundo. As principais condições supostas para o sucesso são: não provocar agitação através da interferência humana, 1 casal por viveiro sem outros pássaros e boa alimentação. A fêmea bota de 2 a 3 ovos que eclodem de 18 a 22 dias. Pode-se identificar o sexo pelo tamanho dos bicos, pois o do macho é bem maior.
Criação em cativeiro: as espécies brasileiras podem ser criadas em cativeiro desde que provenientes de criadouros autorizados pelo IBAMA e as espécies de outros países também, observando-se as normas mundiais da CITES, fornecidas também pelo IBAMA.
Saúde: sensível a vento e verminoses, especialmente a Capilariose, geralmente fatal, transmitida por excrementos contaminados de aves. Micose no bico e pés: causada por falta de higiene. O bico fica corroído e os pés com lesões escamativas e sangue, contaminadas com fungos e bactérias. Tratamento à base de antibióticos e/ou fungicidas locais e por via oral.
Texto: Carmen Olivieri
Copy-desk: Marcos Pennacchi
Consultoria da ficha: dr. Werner C. A . Bokermann, biólogo responsável pelo setor de Aves do Parque Zoológico de São Paulo.
Foto: Fernando Torres de Andrade
Prop. Zôo - SP