Alojamentos


".....É importante num voadouro todos os espaços serem úteis. No meu voadouros não há locais que as aves raramente voem, ou que não poisem. Tentei que houvesse o maior equilíbrio em termos de espaço para que depois da criação, com os novos elementos, estando a população do voadouro completa, não se verifique atropelos....."
Autor: Manuel João Múrias


É bom ter presente que os canários necessitam de voar, algumas raças mais, como os Lizard, Fife Fancy, Gloster Fancy e todos os canários de cor, que são aves por natureza muito vivas necessitando de expandir a sua natureza. Caso não o façam arriscam-se a ficar deprimidas, mesmo que se contentem com o pouco espaço que têm, têm mais probabilidades de contraírem doenças.Eu, para os meus Lizard, utilizo um voadouro grande para que, as aves logo que são separadas dos pais, comecem a exercitarem-se no voo. Depois junto-lhes as fêmeas logo que a muda comece ou quando quero que terminem a reprodução. Por fim deixo cada macho numa gaiola dupla com cerca de 70 a 80 cm de comprimento e aí ficam até nova época de criação. Antes das exposições coloco cada ave que vou expor numa gaiola individual de 35 a 40 cm de comprimento. A medida com que me regulo para o espaço no voadouro é de 1 m3 para 4 aves. Não tenha mais aves no voadouro que aquelas que o voadouro comporta sob risco de proliferação de doenças, picagem, difícil controlo sobre a situação das aves. É importante num voadouro todos os espaços serem úteis. No meu voadouros não há locais que as aves raramente voem, ou que não poisem. Tentei que houvesse o maior equilíbrio em termos de espaço para que depois da criação, com os novos elementos, estando a população do voadouro completa, não se verifique atropelos.

Na reprodução trabalho com gaiolas duplas que permitam colocar uma grade no meio. Estas gaiolas duplas têm entre 70 cm a 80 cm são de plástico, fechadas, tipo caixa, com uma grade na frente. Proporcionam grande privacidade e são confortáveis podendo assim as aves criarem com todas as condições. Só utilizo a grade para o início do acasalamento e posteriormente na separação progressiva dos filhotes. Todo o resto do processo de incubação e alimentação dos filhotes é feito em toda a gaiola.

É muito importante que o canaril e as gaiolas estejam virados para nascente, pois não há luminosidade como a da luz solar e deve-se contar também com o factor humidade, que se reduz.Cada gaiola deve estar equipada com poleiros de madeira que se possam trocar do exterior, assim como comedouros e bebedouros. No chão da gaiola deve estar uma grade, se possível de plástico ou outro material que não oxide com a lavagem, para que os pássaros não se sujem, nem comam alimentos deteriorados.

Na época da criação devem-se, sempre que haja hipótese, utilizar-se ninhos exteriores (presos ao lado de fora da gaiola), esses ninhos dão mais tranquilidade às fêmeas e podem ser facilmente inspeccionados pelo criador. Devemos perturbar as aves apenas o indispensável, respeitando o seu espaço, no fundo a gaiola é o seu território. Evito sempre ao máximo invadir o território das aves principalmente na reprodução, embora tenha as aves no voadouro onde muitas vezes permaneço o mais discreto possível.


Para ajudar na construção do ninho existem uns forros de estopa ou de corda que ajudam bastante a concretizá-lo de uma forma perfeita termicamente e com bom arejamento, consulte a sua loja de animais.

No voadouro convém ter poleiros individuais para as aves terem sítio onde se refugiarem das bicadas uns dos outros não havendo lugar para penas deformadas e quistos, ou schimmel no caso dos Lizards. Existem poleiros individuais que se aplicam em ripas de madeira podendo ser colocadas no voadouro no local mais conveniente.
No voadouro devem dispor-se vários recipientes para a comida, para a água e para o banho. Eu uso, à falta de melhor, bebedouros automáticos de 1 litro, além de pratos de barro para o banho. A intenção é evitar as disputas por comida ou água. No entanto elas existem sempre, o que é sinal de vigor e sentido de bando. Se o voadouro for pequeno, devemos separar os machos. Os machos têm naturalmente tendência para demarcar o território lutando entre si. O vencido é afastado, dando em tudo preferência ao macho dominante tornando-se deprimido, é regra não juntar machos. As fêmeas também disputam os seus locais preferidos e na altura da reprodução delimitam o território onde se encontra o ninho brigando pelos pedaços de fio que encontram.
O Canaril deve estar protegido das correntes de ar no entanto, o ar deve circular. Abra as janelas no Inverno nos curtos períodos que faz sol e no Verão de manhã cedo e ao cair da tarde deixando-as abertas durante a noite se a amplitude térmica não for muito grande, fechando-as na hora de mais calor. As janelas devem estar protegidas com rede mosquiteira, lembro que os mosquitos tipo anofelis podem arrancar, em consequência das picadas, dedos, patas e mesmo transmitir doenças letais aos canários como a varíola diftérica. Não se esqueça deste pormenor. Uma ferida numa pata é suficiente para a desclassificação num concurso e os mosquitos, cada vez com mais defesas, suportam o frio dizimando as nossas aves.

Gostava de alertar para um tipo de situação que encontro em vários aviários. Refiro-me à utilização de desumidificadores. São muito úteis em casos de humidade excessiva, filtrando o ar e baixando a humidade, sobretudo no Outono e Inverno quando a Humidade relativa (HR) é excessivamente elevada e a temperatura muito baixa, mas não em situações onde a humidade é um dom.

A água é essencial para a vida, todos os seres vivos necessitam de água para viver. Alguns mais, outros menos, mas ela está sempre presente e na sua ausência a vida não se dá. A humidade relativa (HR) é a percentagem de água no ar. Nas ilhas Canárias, em média, situa-se entre os 60% e os 70% para temperaturas entre os 13° e os 26°, na Madeira e Açores varia entre os 70% e os 90% para temperaturas entre os 13° e os 26°. Estes dados foram obtidos baseados nos dados oficiais registados nos últimos 20 anos nestas mesmas ilhas e serve apenas para termos uma ideia do que se passa na terra dos canários.
Os canários provêm então de um meio bastante húmido e com as amplitudes térmicas anuais muito pequenas. Então porquê insistirmos em manter o canaril seco? Esta situação é perigosa porque as aves mais facilmente retêm nas vias respiratórias uma maior quantidade de poeiras, bactérias, ácaros e também ficam mais propensas a alergias e asma. As mucosas tendem a secar com o ar seco e perdem a sua capacidade para reter as poeiras existentes no ar.

No Verão de 2003, aquando do calor tórrido e seco em Junho, tinha várias ninhadas com idades entre os 3 e os 5 dias de vida. No canaril estava uma HR de 20% enquanto a temperatura estava na ordem dos 39°. Conclusão todas as ninhadas morreram. Passadas algumas semanas outra onda de calor, cerca de 37° mas, consegui manter uma HR de 50% e as ninhadas com a mesma idade das que antes tinham sucumbido com a temperatura exageradamente alta, desta vez sobreviveram todas.

Durante o Inverno quando as temperaturas são inferiores a 16° deve-se manter uma HR entre os 55% e 60% podendo ser necessário utilizar um desumidificador. Entre os 16o e os 25otentar manter a humidade entre os 65% e os 70% visto coincidir com a altura da reprodução. Acima dos 30° conseguir que a HR não baixe dos 40% com os seguintes processos:
Algumas sugestões para os dias em que o termómetro sobe para além dos 30° são: Manter no canaril bacias com água e uma rede por cima para evitar afogamentos; lavar o chão do canaril sem o secar; borrifar as aves e o canaril todo com água num pulverizador, mesmo os filhotes que estão no ninho, sensivelmente de hora a hora; manter o canaril na penumbra; proporcionar o banho a todas as aves, mudar a água de beber duas ou mais vezes por dia mas não com água gelada . Atenção ao caldo orgânico que se forma nos bebedouros com a água morna; manter os poleiros limpos diariamente; arejar as instalações de manhã e ao fim do dia.

Se tiver oportunidade pode encontrar formas mais eficazes e exactas para o controlo da humidade com sistemas de humidificação para estufas, com higrostato incorporado. Assim terá a humidade completamente controlada de uma forma menos trabalhosa.

Um ionizador ajuda para a pureza do ar em dias de trovoada e também nos dias de calor abrasivo do Verão. São melhores aqueles que tem filtro pois retêm pó e outras impurezas do ar. Os ionizadores são óptimos para quem viva em ambientes muito poluídos, conservando o ar puro, livre de bactérias, poeiras e iões pesados (iões positivos) tão nocivos para a saúde.

Um factor importante na criação de aves é terem disponíveis acessórios de madeira e barro. Os poleiros se possível devem ser de madeira, elípticos em corte e ficarem um pouco inclinados (mais altos do fundo para a frente), devem também ter espessuras diferentes para as aves ginasticarem os dedos. Todos os utensílios de madeira devem ser limpos regularmente com água e lixívia deixando secar, depois de seco passar com um pano embebido em azeite, reduzindo assim a hipótese de se acumularem ácaros, tão nocivos para as nossas aves. Os poleiros de madeira são mais macios para as patas das aves evitando calosidades e também tonificadoras do sistema nervoso. Os bebedouros devem ter a cor castanha ou azul para evitar que a luz decomponha qualquer solução que queiramos dar à ave, assim como o depósito de fungos. Os bebedouros e comedouros, quando possível, devem ser de barro ou pelo menos de vidro devido à ionização que provocam na água. Quando no Verão enchemos um cântaro de barro e bebemos, a água parece mais leve, fresca e apetecível. Os nossos pássaros enquanto se encontrarem no voadouro podem muito bem beber e tomar banho em pratos de barro daqueles que se utilizam para os vasos das flores. Experimente e veja a alegria deles. À falta de banheiras devem-se borrifar as aves pelo menos uma vez ao dia de preferência de manhã durante todo o ano.

Penso assim estar concluído o capítulo referente ao alojamento.