Mosaicos - II


"...Os canários domésticos começaram a ser criados pelo homem por volta de 1400. Desde então as mutações, fenômeno natural que ocorre em todas as espécies animais, foram sendo selecionadas e multiplicadas com o objetivo de se obter exemplares aos nossos olhos..."

Fonte: João Francisco Basile da Silva


 

Mosaicos

Os canários domésticos começaram a ser criados pelo homem por volta de 1400. Desde então as mutações, fenômeno natural que ocorre em todas as espécies animais, foram sendo selecionadas e multiplicadas com o objetivo de se obter exemplares aos nossos olhos. 

Na natureza, os indivíduos mutantes são mantidos à margem de população e considerados como “defeitos genéticos”.O homem, ao contrário, interessa-se, seleciona e melhora justamente esses indivíduos “defeituosos”. 

Na busca de exemplares diferentes, por volta de 1920, um criador alemão, com o objetivo de produzir um canário vermelho, conseguiu introduzir no patrimônio genético destes, gens de um pintassilgo selvagem conhecido como Tarim da Venezuela. Esse pássaro é muito semelhante ao nosso pintassilgo, com a diferença de possuir vermelho vivo nas áreas onde o nosso é amarelo. 

Por meio de vários cruzamentos, o homem conseguiu adicionar o fator vermelho ao patrimônio genético dos canários, abrindo com isso uma nova gema de combinações de cores, aumentando ainda mais as variedades já existentes. 

A maioria dos pássaros, e os pintassilgos não são exceção, possuem uma característica muito interessante, conhecida como dimorfismo sexual, que faz com que os sexos (masculino e feminino) tenham a aparência distinta ou seja, o macho é diferente da fêmea. 

Esse dimorfismo pode ser mais ou menos acentuado, dependendo da espécie. No caso do canário original, o dimorfismo é pouco acentuado (existe uma certa dificuldade em se diferenciar os sexos). 

Nos psitacídeos em geral ele é quase inexistente, mas nos pintassilgos, ao contrário, ele é bem marcante, ou seja, a diferenciação entre is sexos é bem visível. 

Durante essa tentativa de se criar o canário vermelho, os gens responsáveis pelo diformismo sexual dos pintassilgos, foi inadvertidamente transmitido aos canários. Inicialmente os criadores não perceberam essa característica e descartavam os exemplares mosaicos, considerandos fora do padrão. 

Atualmente essa categoria de canários representa boa parte da nomenclatura de canários de cor em vigência. 

As diferenças entre machos e fêmeas são tão grande que eles são inclusive julgados separadamente. 

As principais características de cor dos canários mosaicos são: 

Nos machos – maior presença de cor (lipocromo nas seguintes regiões: máscara facial, encontros (ombros), uropígio (região próxima à cauda) e peito. 

Nas fêmeas – atuação mais reduzida da cor nas mesmas regiões do macho, sendo que a máscara facial é substituída por um leve traço de cor na altura dos olhos. 

Além dessas diferenças em relação à cor; os canários mosaicos apresentam outras características morfológicas que evidenciam a masculinidade ou a feminilidade do exemplar. 

Essas características, apesar de presentes em outras variedades, são muito mais pronunciadas nos mosaicos. Os machos mosaicos possuem peito mais amplo, cabeça maior, pescoço e bico mais forte do que das fêmeas. 

Em relação ao tamanho, normalmente os machos são maiores do que as fêmeas, o que nem sempre ocorre nas outras variedades. 

Resumindo, nos mosaicos, os machos são mais “masculinos” e as fêmeas mais “femininas” do que nas outras cores. 

Todas essas particularidades fazem com que os mosaicos sejam uma categoria diferenciada dentro da canaricultura de cor de competição, o que explica o seu crescente número de adeptos.