Mosaicos - III


"...O padrão mosaico de distribuição lipocrômica é uma herança genética da hibridação do canário com o tarim – pintassilgo da Venezuela que através de seleção rigorosa, durante muitos anos, atingiu o limiar da perfeição se assim o podemos dizer. Há, entretanto controvérsias neste artigo..."
Fonte: Mauro de Q. Garcia

 

Mosaicos  - III

 

O padrão mosaico de distribuição lipocrômica é uma herança genética da hibridação do canário com o tarim – pintassilgo da Venezuela que através de seleção rigorosa, durante muitos anos, atingiu o limiar da perfeição se assim o podemos dizer. Há, entretanto controvérsias neste artigo. Os autores italianos Canali e Gasparini defendem que o fator mosaico é na realidade uma mutação e não resultado de transferência genética de hibridação conforme consenso aceito mundialmente.
Cores bastante apreciadas entre os criadores podemos dizer que se os Belgas se gabam de ser os melhores do mundo, a frente dos italianos, nós não ficamos atrás. Temos visto pássaros fantásticos em criadouros nacionais e posso até mesmo dizer que melhores do que os europeus.

Na realidade há um certo equilíbrio entre os mosaicos da Bélgica e os italianos. Para isto basta observar os resultados do último campeonato mundial e comparar.
D-8 Lipocrômicos amarelo mosaicos

Bélgica: não classificou

Itália: 1 lugar

D-14 Lipocrômicos vermelho mosaicos

Bélgica: não classificou

Itália: 1 lugar

D-22 Lutinos mosaicos

Bélgica: 1, 2 e 3 lugares

Itália: não classificou

D-24 Rubinos mosaicos

Bélgica: 1, 2 e 3 lugares

Itália: não classificou

Deixando de lado a disputa européia voltemos ao nosso tema do artigo. Existem dois padrões muito bem definidos de canários mosaicos: um para o macho (Tipo 2) e outro para a fêmea (Tipo 1).

Standard Tipo 1

Principais características

- Linha ou traço ocular

- Marcação do peito

- Marcação dos encontros

- Marcação do uropígio

a) Linha ou traço ocular

Devem ser bem definidas, simétricas e de preferência partindo atrás dos olhos. A falta de simetria deve ser penalizada proporcionalmente. Qualquer imprecisão não é bem vista. Não há porque tolerar pássaros com marcações oculares espalhadas se sabidamente temos exemplares que preenchem os requisitos do padrão. Sua ausência também não é aceita.

b) Marcação dos encontros

Deve ser bem visível, concentrada e precisa. Não deve se estender muito ao dorso e nem muito às remiges. O lipocromo deve ser o mais intenso possível nesta área.

c) Marcação do peito

Uma pequena mancha colorida (em torno de 1 cm2 de área) ovalada preenche os requisitos do standard. Sua ausência é menos grave do que uma marcação muito ampla, borrada. Aqui, também, o lipocromo deve ser o mais intenso possível.

d) Marcação do uropígio

É a menos importante de todas no julgamento embora deva se ater ao preconizado no padrão. Marcações extensas não são desejáveis. O ideal é que seja mais concentrada e mais precisa. Seu brilho e intensidade também são importantes.


Mosaico tipo 1 (fêmea) Aspecto lateral, observando-se linha do traço ocular, partindo atrás do olho e ainda apresentando belo constraste entre o manto e o encontro (bem definido, porém de intensidade que deixa a desejar).                                                                
Mosaico tipo 1 (fêmea) Visão frontal com destaque para marcação do peito - sutil - observando-se ainda, testa desprovida de lipocromo conforme requerido pelo padrão.

Standard Tipo 2

Principais características:

- Máscara

- Encontros

- Marcação do peito

- Uropígio

 

a) Máscara

O padrão para o macho é bem diferente daquele para a fêmea. Maior quantidade de lipocromo é observada respeitando naturalmente características do padrão. Deve ser bem evidente e bem definida. Não pode se estender à nuca e nem ao peito. Seus limites devem ser precisos ao máximo. Olhos centrados dentro dela. Um defeito freqüente é a falta de contorno bem desenhado embaixo do bico. Quanto mais intensa melhor.

b) Encontros

Devem ser simétricos e bem marcados por lipocromo intenso de preferência. A cor não deve subir ao manto dorsal porem são mais evidentes do que nas fêmeas. Pássaros “intensos” (plumagem muito curta) tendem a apresentar melhor marcação de encontros.

c) Uropígio

Bem definida, intensa de preferência e não se estendendo muito à cauda.
 

Mosaico tipo 2 (macho) Máscara bem definida, com bom contorno inclusive em baixo do bicxo, apresentando lipocromo vermelho intenso de boa qualidade.     
Mosaico tipo 2 (macho) Aspecto lateral destacando-se a forma triangular da máscara com o olho bem centrado. 


Mosaico tipo 2 (macho) Visão frontal, observando-se sufusão lipocrômica adequada no peito, encontros bem delimitados e máscara de bom contorno. (fotos G.Vecchio).      
Mosaico tipo 2 (macho) Detalhe do encontro, observando-se boa intensidade de coloração e contraste em relação ao manto. Discreto nevadismo em sua área central.


Mosacio tipo 2 (macho) Visão posterior com destaque para a nuca, parte alta do dorso e encontros. Máscara terminando de acordo com o padrão sem estender à nuca.        
Mosaico tipo 2 (macho) Detalhe do uropígio. Seria desejado maior intensidade de cor.

CONSELHOS PARA CRIAÇÃO

Embora atualmente se admita o consenso da criação dirigida para obtenção de machos ou de fêmeas é preciso ressaltar que de um determinado casal de bom padrão possa nascer bons machos e boas fêmeas, com certa freqüência. Assim é preciso considerar aspectos inerentes aos anseios e limites de cada criador. Aqueles que se dedicam exclusivamente à linha clara com ou sem fator e criando com número elevado de casais devem trabalhar com fêmeas mascaradas para obter melhores machos e machos com máscara pouco evidente para se obter boas fêmeas. No entanto, aos pequenos criadores aconselhamos o acasalamento de dois bons exemplares bem definidos de acordo com o padrão específico. Ressalta-se que machos com características de fêmeas podem não ser prolíficos. Por outro lado machos com máscaras exuberantes, estendendo-se à nuca jamais deverão ser acasalados com fêmeas fora do padrão sob risco de se obter somente machos e fêmeas mal definidos.
O conceito de se introduzir canários brancos e branco dominante para melhorar o manto dos mosaicos (torna-lo mais branco) é equivocado e não conduz a pássaros mais bem marcados.

CONCLUSÃO

Os canários mosaicos representam uma das mais belas categorias sendo apreciados pela maioria dos criadores mas, no entanto, são de difíceis de se trabalhar. Obter vários exemplares com as características desejáveis do padrão requer um bom manejo e seleção rigorosa.

Finalizando sugerimos que os criadores de mosaicos da linha clara com fator somente devam usar substâncias corantes (cantaxantina ou similar) após a oitava semana de vida do filhote, evitando ainda que tenham penas arrancadas para não quebrar a simetria. Não se esqueçam da forma e do tamanho pois são itens fundamentais no conjunto.