Iniciação sobre genética em Canários de Cor


  "...O primeiro canário de que se tem notícia foi encontrado nas Ilhas Canárias, na Costa Africana, Oceano Atlântico, por volta de 1402. Sabe-se que as Ilhas receberam esse nome antes do pássaro...

Fonte: Rita de Cássia Gonçalves de Souza

Marcos José Santana
II Exposição do Clube Ornitológico de São Carlos - COSCar


 

 

Iniciação sobre genética em Canários de Cor

Histórico

O primeiro canário de que se tem notícia foi encontrado nas Ilhas Canárias, na Costa Africana, Oceano Atlântico, por volta de 1402. Sabe-se que as Ilhas receberam esse nome antes do pássaro. Curiosamente, os ramoanos chamavam-nas de "Ilhas dos Cães" por serem habitadas por um tipo de raça de cães de grande porte. Como era de se esperar, os romanos tiveram maior interesse em ferozes cães de guarda do que em pequenos pássaros cantantes. A palavra "canário"é uma corruptela de "canis",ou cachorro, em latim [OLS96]. 

O Canário Selvagem, ou Serinus Canarius, possui pouco mais de doze centímetros, é nevado, de cor verde acinzentada e com partes córneas escuras; o macho apresenta faixas amareladas enquanto que a fêmea possui partes marrom acinzentadas. Sua aparência é bastante similar à do canário verde comum. Já no século XV, tem-se notícias de canários sendo criados como animais de estimação na Europa. Ainda hoje, porém, pode-se encontrar o Canário Selvagem nas Ilhas Canárias, Açores e Cabo Verde [OLS96][SIL87]. 

Por um período de quinhentos anos, através de criações seletivas, uma grande variedade de canários foi desenvolvida. Alguns foram criados puramente pela sua habilidade vocal, onde a aparência não tinha importância. Até a Revolução Industrial, quando não existiam máquinas barulhentas, alguns artesãos costumavam manter canários em suas lojas para entretenimento. Essa prática de manter canários nos locais de trabalho acabou levando-se para as minas de carvão, onde eles serviam de "alerta"ao homem quando morriam devido à ocorrência de gases perigosos [OLS96].

Os Ingleses se distraíam fazendo experiências com os tamanhos e formas que um canário poderia apresentar, conseguindo criar algumas variações da raça, entre elas o Norwich, o Yorkshire e o Gloester. Já os franceses e italianos preferiram lidar com a postura dos canários e obtiveram vários exemplares com diferentes curvaturas da espinha. Até o início do século XX, o canto e a forma dos canários eram alvo da dedicação dos criadores. No entanto, uma mutação apareceu em um criadouro de canários de canto clássico despertando a atenção para a cor dos pássaros, inicianco, nesse momento, um novo interesse por parte dos criadores e desencadeado uma série de experimentos, levando às mais de trezentas cores conhecidas atualmente [OLS96]. 

Evolução    

Desde 1478, os canários são criados em cativeiro no continente europeu, mas, somente em 1709, foi publicado o primeiro livro exclusivamente sobre esses pássaros, cujo autor, Hervieux de Chanteloup, já relacionava vintee nove cariedades distintas pela cor da plumagem, entre eles os canários verdes, canelas, brancos, amarelos e algunms com olhos supostamente vermelhos. Também estavam incluídos os pássaros pintados (mutaçào do fator enzima) e o fator intenso (mutação do fator nevado) [OBJ96]. 

A cor verde do canário resulta dos efeitos de vários componentes que entram na formação de suas plumas e penas.Basicamente, o verde é conseguido pela combinação do amarelo do lipocromo com as melaninas negra e marrom e em alguns casos pelo azul refletido por pequenas partículas de melanina negra dispersa na plumagem, mais precisamente nas bárbulas. A presença da melanina marrom, a nuance do amarelo que é extremamente variável e o fator intenso, além de alguns outros fatores, fazem variar o tom do verde, indo do verde musgo ao cinza esverdeado, quase sem brilho, que caracteriza o canário ancestral [SIL87]. 

A primeira modificação da cor do canário ancestral ocorrida em cativeiro foi odesaparecimento dos pigmentos melânicos em algumas partes da plumagem, numa primeira etapa, e, posteriormente, sua inibição total, transformando o canário verde original em um pássaro totalmente amarelo, com olhos escuros [SIL87].Esta mutação ocorreu por uma deficiência na função exercida pelo fator enzima, que será tratado posteriormente. 

Também o fator nevado presente no canário ancestral sofreu mutações, dando origem ao fator intenso. Esses dois fatores influem na estrutura das plumas e penas, fazendo com que o pássaro intenso apresente normalmente uma plumagem mais compacta, tornando o seu contorno ligeiramente menor. As penas de um pássaro nevado apresentam uma zona despigmentada na exstremidade, variável de indivíduo para indivíduo. Já no pássaro intenso, os pigmentos atingem as extremidades dasbarbas e bárbulas e a coloração da plumagem é uniforme, normalmente se apresentando com um tom mais forte [SIL87]. 

O canário ancestral possui cor de fundo amarelo clara. O amarelo é resultante do depósito de lipocromo nas bárbulas, barbas e eixo das plumas e penas. A ausência de lipocromos deu origem à cor de fundo branca e, consequentemente, aos canários "brancos dominantes",mas com incrustações amarelas em sua plumagem [SIL87]. 

Em 1908, em Nova Zelândia, um casal de pássaros amarelos nevados deram origem a um pássaro totalmente branco. Com acasalamentos consagüíneos, conseguiu-se fixar a mutação, descobrindo-se que o gene se localizava em um autossomo e que era recessivo. Os primeiros pássaros obtidos eram bastante frágeis e de difícil desenvolvimento. A fragilidade de tais pássaros se devia a uma deficiência orgânica, que não os deixava sintetizar a vitamina ª Receberam a denominação de Brancos Recessivos, por já existirem os Brancos Dominantes [OBJ96]. Sabe-se hoje que o branco não vhega a ser uma cor e sim uma ausência total do lipocromo amarelo. Deve-se observar, porém, que a terminologia branco recessivo não é considerada correta, apesar de bastante utilizada. A denominação Branco já caracteriza em canários como recessivo [COR95]. 

Uma outra modificação fez com que o gene responsável pela formação de melaninas negras e marrons perdesse seu potencial. Isso acabou afetando o estágio final do processo de pigmentação, dando origem à mutação canela (ou marrom oxidado). Essa foi a primeira mutaçào a afetar a cor das melaninas e o canela nada mais é do que um verde onde a melanina negra foi substituída pela marrom [SIL87] [COR95]. 

Nessa época, já haviam três cores de fudo: o Amarelo, o Branco Dominante eo Branco Recessivo. Adicionados à Linha Escura Clássica

No início deste século apareceu a primeira mutação que deu origem à canaricultura visando a cor dos canários. Na Holanda, em um criadouro de canários de canto clássico, do acasalamento de pássaros verdes surgiram canários mutantes, hoje classificados como Ágatas. A característica principal desta mutação é o bloqueio ao depósito de melaninas no início do crescimento das penas e plumas (diluição dos pigmentos negro e canela). A prole consistia somente de fêmeas. Através de acasalamentos consagüíneos, a mutação foi fixada, dando origem a uma nova cor e ao início de uma série de mutaçãos [OBJ96] [SIL87]. 

O fator que produzem o ágata, conhecido também como primeiro fator de diluição, foi aplicado à mutaçào canela e os machos verdes obtidos desse acasalamento produziram os primeiros marrons diluídos, denominados isabelinos [OBJ96]. 

Na década de 20, foi desenvolvido na Alemanha o primeiro trabalho sobre genética de canários de cor, Em 1926, tiveram início alguns estudos para a produção de um canário de cor de fundo vermelha. Como o canário não possuía vermelho em seu patrimônio genético, tentou-se o acasalamento com outro pássaro, o Tarim(Spinus Cuculatus), um pássaro de tamanho pequeno, com o corpo colorido de vermelho vivo, cabeça, asas e causa negras, com barras vermelhas nas asas, conhecido como Pintassilgo da Venezuela. O canário fêmea utilizado nesta experiência era de cor amarela e, através do acasalamento com um macho Tarim, nasceram híbridos de cor acobreada. Essa experiência passou por várias fases de insucesso, al;gumas gerando fêmeas estéreis e outras causando a perda da cor aobtida anteriormente. Somente após dez anos de tentativas, foram obtidas fêmeas férteis que possuíam os genes responsáveis pela assimilação do vermelho. Com Alimentação apropriada, estes canários conseguiram atingir tonalidades de vermelho bem vivas. É importantee frisar que uma vez que o fator vermelho foi inserido no canário artificialmente, através de hibridação, isto não constitui uma mutação [OBJ96]. 

Dos acasalamentos entre pássaros de fator vermelho surgiram algumas fêmeas esbranquiçadas com zonas de lipocromo idênticas às observadas na fêmea do Tarim. No final dos anos quarenta, surgiram os mosaicos, hoje bastante aperfeiçoados. A princípio, parecia não ser possível obter machos mosaicos, mas com o passar do tempo essa teoria foi abandonada, pois machos com características bem diferentes dos nevados começaram a aparecer. Através de seleção e da introdução de pássaros Gloster (um dos tipos de canários mais populares) pelos italianos nos plnatéis de mosaicos, obteve-se um novo tipo de mosaico, onde o macho e a fêmea apresentam dimorfismo típico [OBJ96]. 

Já na década de cinqüenta, três novas mutações apareceram: o marfim, o pastel e o opalino [OBJ96]. 

A mutação marfim surgiu de um casal de amarelos de canto clássico, no começo da década. A mutaçãp ocorreu em uma fêmea, que possuía um amarelo muito suave, contrastante com a cor dos pais e irmãos, apresentando uma uniformidade de coloraçào perfeita. A utilizaçào de acasalamentos consagüíneos permitiu fixar a mutação e classificá-la como recessiva e sexo-ligada [OBJ96]. 

Em 1957, na Itália, foram apresentados os primeiros pastéis melânicos. Esta mutação é também conhecido como segundo fator de diluição, pois sua ação é mais intensa sobre as feomelaninas e faz praticamente desaparecer o desenho dos arrons deixando, porém, leves traços nos canários canelas. A mutação foi transferida para os negro-marrons e nestes notou-se também a ação do fator sobre as melaninas negras [OBJ96]. 

No ano seguinte, em Nuremberg,Alemanha, um dos filhotes de um casal de canários verdes de canto clássico se diferenciava bastante dos demais. Ao invés de apresentar as melaninas fortemente oxidadas, seus pigmentos melânicos estavem diluídos de tal modo que o negro ficara com uma tonalidade cinza azulada e o marrom praticamente desaparecia da plumagem. Os pés e bico, porém, continuavam escuros, aparentemente sem sofrer a ação do novo fator de diluição. Por analogia da plumagem com a perda preciosa, esses canários foram denominados opalas e, posteriormente, opalinos. Esta mutação é recessiva em relação ao seu     alelo original e se localiza em um autossomo [OBJ96]. 

Por volta de 1964, em Bruxelas, Bélgica surgiu uma nova mutaçào cujo fenótipo podia ser facilmente confundido com um lipocrômico vermelho ou um pastel isabelino, mas que possuía uma subplumagem bege pálido e olhos vermelhos brilhantes, cuja cor não se alterou com o desenvolvimento do pássaro. Esse fator recebeu a denominação "Ino", localiza-se em um autossomo, é recessivo e inibe totalmente as melaninas negras, permitindo apenas o depósito das melaninas marrons periféricas [OBJ96]. 

O fator Ino provoca o desaparecimento das eumelaninas negras e marrons da plumagem, mas não da subplumagem (não aparente no canário). A única melanina exibida na plumagem externa e de contormo destes canários é a feomelanina, que deve se apresentar o mais forte possível (marrom chocolate). Nos canários melânicos, a melhor manifestação do fator Ino é observada nos pássaros oxidados (em particular os canelas) onde o fator é denominado "Feo-ino"[HUR96]. 

Também na década de 60 surgiu uma nova mutação, o fator acetinado ou ïno sexo-ligado". Apareceu na Argentina, em 1967 e na frança, em 1969. Os pássaros possuíam olhos vermelhos. Contudo, a distribuição das melaninas diferenciava-os dos inos autossomais. Ao contrário dos feo-ino, as melaninas periféricas eram inibidas e somente a melanina marrom aparecia no lugar correspondente às estrias, bastante diluída. Havia porém pássaros que se assemelhavam aos lipocrômicos [OBJ96]. 

Os pássaros de origem marrom que apresentam maracação nítida nas estrias são denominados "acetinados típicos",enquanto que os de origem negro marrom se apresentam praticamente como lipocrômicos e são denominados"acetinados diluídos". Sendo um fator sexo-ligado e devido à maior facilidade de manuseio, hoje quase todos os lipocrômicos de olhos vermelhos são de origem acetinada [OBJ96]. 

Uma modificação estrutural das células exteriores das penas resultou em uma mutação denominada "Fator Ótico para o Azul".A luminosidade produzida pelo espectro solar, decomposta em radiações, origina várias nuances de cor, que podem ser observadas num mesmo canário em diferentes períodos do dia, ou seja, cores mais amenas de manhã e mais fortes ao entardecer. A plenitude da pureza da cor se observa ao meio-dia. Esse fator transmite o efeito ótico que dá à cor amarela um tom esverdeado, daí a denominação Amarelo Limão [COR95]. 

Os canários Asas-Cinza tiveram origem na Itália, em 1966. Esta mutação é, na verdade, uma variante do fator pastel e se manifesta principalmente nos negro-marrons oxidados. Estes pássaros possuem uma pigmentação bastante diluída na parte média das grandes penas da asa e de cauda, contrastando com as extremidades onde a melanina negra persiste. A tonalidade acinzentada, típica do negro marrom pastel, deve atuar em toda a plumagem [OBJ96]. 

A mutação topázio aconteceu na França, na década de 80, sendo oficializada em 1993 na Europa e em 1994 no Hemisfério Sul. A alteração surgiu do fator ino e os pássaros que apresentaram-na possuíam melaninas sempre marrons no local das estrias, olhos vermelhos escuros e bandas despigmentadas dos dois lados das penas, o que acabou dando origem ao seu nome. Os canários topázio são perfeitamente definidos nos negro marrons, tanto oxidados como diluídos (ágatas), onde a mutaçào se expressa [OBJ96]. 

A última mutação de que se tem notícia ocorreu em 1986, na Espanha. O fator"Ônix" se originou do acasalamento entre canários clássico homizigoto verde intenso e o canário azul. Como o fator eumo, o fator ônix também foi classificado como recessivo autossomal [OBJ96]. 

A ordem, data e local onde as mutações apareceram pela primeira vez não são precisas e podem não ser totalmente verdadeiras. Isso porque há inúmeros criadores espalhados por todo o mundo e somente aqueles que observam para reconhecer uma mutação quando ela aparece é que têm condições de fixá-la através de acasalamentos corretos. Também não é raro detectar uma modificaçào na cor de um pássaro e não conseguir reproduzi-la, fazendo com que aparentemente ela seja perdida. O que se tentou fazer aqui foi relacionar todas as mutações conhecidas atualmente, ou pelo menos as principais, colocando-as numa ordem razoável e dando algumas poucas características de cada uma. 

A GENÉTICA DOS CANÁRIOS

A genática dos canários é um campo bastante desenvolvido. Todas as cores dos canários se baseiam em genes que controlam a melanina e o lipocromo. A melanina é preta no canário ancestral e o lipocromo (cor de fundo ou de base) é de cor amarela. A combinação de preto e do amarelo dá a aparência de um pássaro verde. Alterações nas cores e nos componentes da plumagem do canário ancestral trouxeram as diversas mutações hoje existentes. Essas variações podem atuar tanta na cor de fundo como nos pigmentos melânicos, reduzindo sua expressão em graus variáveis, inibindo seu aparecimento e às vezes aumentando seu efeito. O gene que remove a melanina é parcialmente dominante. Um único fator, desse gene provoca um tom variado, com cores claras e escuras, enquanto que dois fatores determinam um canário claro, que exibe somente a cor de fundo (ou lipocromo) que pode se apresentar em várias gradaçòes de vermelho, amarelo ou, simplesmente, branco [OLS96] [OBJ96]. 

A melanina no eixo das penas (eumelaninas) pode ir do negro ao cinza azulado, do marrom escuro ao bege claro, ou mesmo estar ausente. Já as melaninas periféricas (feomelaninas) variam do marrom escuro ao bege claro, podendo também não se exterioeizarem. Além dessas variações de coloração, a estrutura das barbas e bárbulas pode mudar, criando variações que também concorrem para a mudança de cor [OBJ96]. 

NOÇÕES BÁSICAS E CONVENÇÕES UTILIZADAS

Sabe-se que um ser é composto por um conjunto de células e que cada célula possui o mesmo número de cromossomos e ainda que este número é sempre par nas espécies puras. Acredita-se, atualmente, que as células dos canários possuam 40 pares de cromossomos (em [MAT92] o autor afirma que os canários apresentam apenas 21 pares de cromossomos. Tal diferença pode ser devido aos tipos de cromossomos que o canário possui, a maioria microcromossomos. Segundo [OLS96] um microcromossomo é muito pequeno para ser identificado positivamente como um cromossomo. Provavelmente dentre os 21 pares citados em [MAT92] somente os macrocromossomos foram considerados). Esses pares são constituídos de cromossomos idênticos denominados homólogos, com exceção do par de cromossomos sexuais, onde o macho possui dois cromossomos idênticos (XX), enquanto a fêmea possui um cromossomo X e um Y. Supõe-se que o cromossomo Y seja apenas determinante do sexo, não possuindo genes [OBJ96] [SIL87]. 

O gameta, ou célula germinativa, possui apenas um dos cromossomos de cada par das células comuns. A união dos gametas do macho e da fêmea forma o zigoto, célula inicial que dará origem ao novo indivíduo. Para que cada gameta passe a Ter metade do número de cromossomos das células, ele passa por um processo de redução, denominado meiose (exemplificado na figura 1) composto das seguintes fases [SIL87]: 

A - Os cromossomos estão separados nas células, desenvolvendo sua tarefa de controlar a fabricação das proteínas. 

B - Quando uma célula dos testículos ou do ovário está próxima da meiose, os cromossomos se arrumam de modo que cada cromossomo recebido do pai se emparelhe com o seu homólogo, recebido da mãe. 

C - Cada um dos pares de cromossomos se duplica, produzindo uma cópia exata de si mesmo. Assim, cada grupo passa a conter quatro cromossomos. Neste momento, podem haver trocas de pares de segmentos do cromossomo materno com partes correspondentes do cromossomo paterno (crossing-over ourecombinação). 

D - Ocorre uma segregação aleatória, possibilitando a ocorrência de diversas combinações. A célula é dividida em quatro partes, cada uma contendo um conjunto de n cromossomos, com todas as instruções necessárias para a formação de um novo ser. 

E - A célula se separa formando os quatro gametas, espermatozóides no macho e óvulos na fêmea. No caso da fêmea, somente um desses gametas se tornará o óvulo, enquanto que os outros três morrerão. 

Ao final desse processo, cada gameta será uma célula haplóide, contendo apenas um conjunto de cromossomos (n). Somente após a fertilização haverá um conjunto completo de cromossomos (2n), transformando o gameta em uma célula diplóide [SIL87]. 

Os gametas gerados através do processo de recombinação ou crossing-over são chamados "recombinação" (E-2 e E-3 da figura 1). No entanto, há uma tendência de todos os genes de um mesmo cromossomo se transmitirem juntos. Tal fenômeno é conhecido como ligação fatorial, ou linkage, e os gametas gerados, idênticos aos iniciais, são denominados "parentais

Ò outro processo que ocorre durante a meiose na criação dos gametas, a segregação independente, é exemplificado na figura 3. Cada um dos cromossomos se separa do seu par, se duplica e se move independentemente para diferentes partes da célula em divisão [OLS96]. 

Os processo que ocorrem durante a meiose garantem uma grande variação nas instruções contidas dentro dos gametas e isto é refletido nas diferenças aparentes entre a progênie de um simples casal [SIL87]. 

Na formação do zigoto, entram um conjunto de cromossomos do pai e outro da mãe. Assim, para cada locus de cada cromossomo, o zigoto pode Ter [SIL87]: 

1. Dois alelos primitivos ou não mutantes, onde o fenótipoapresenta uma característica normal, pois os dois alelos contêm instrução para isso (homozigose). 

2. Um alelo mutante e o outro não mutante, caracterizando uma heterozigose, pois os alelos do locus possuem instruções distintas para uma mesma característica. 

3. Dois alelos mutantes. Neste caso, o fenótipo apresenta a característica mutante, pois as duas instruções são idênticas (homozigose). 

Na formação do zigoto, entram um conjunto de cromossomos do pai e outro da mãe. Assim, para cada locus de cada cromossomo, o zigoto pode Ter [SIL87]: 

Figura 3 

1. Dois alelos primitivos ou não mutantes, onde o fenótipo apresenta uma característica normal, pois os dois alelos contêm instrução para isso (homozigose). 

2. Um alelo mutante e o outro não mutante, caracterizando uma heterozigose, pois os alelos do locus possuem instruções para uma mesma característica. 

3. Dois alelos mutantes. Neste caso, o fenótipo apresenta a característica mutante, pois as duas instruções são idênticas (homozigose). 

A instrução que determinará o fenótipo depende da relação entre o alelo primitivo e o alelo mutante. No caso da heterozigose, se um dos genes consegue expressar no fenótipo suas características, ele é considerado dominante em relação a seu alelo. A dominância pode ser total ou não. No caso da dominância parcial (também conhecida como intermediária, semi-dominância ou co-dominância), o fenótipo apresentará características intermediárias [SIL87]. 

No casoda dominância, para os três genótipos possíveis (AA, Aa e aa) haverá somente dois fenótipos, pois o heterozigoto (Aa) terá fenótipo idêntico ao duplo dominante (AA). Já na semi-dominância, para os três genótipos descritos acima, haverá três fenótipos, pois o fenótipo heterozigoto (Aa) terá características entre as que seriam determinadas por cada gene, se agisse isoladamente [SIL87]. 

O gene cujo efeito não se faz sentir no fenótipo quando em heterozigose é denominado recessivo. 

A convenção para representar em fórmulas os genes e cromossomos é utilizar a letra maiúscula para designar os genes dominantes e a letra minúscula para genes recessivos. Um traço de fração é utilizado para separar 

os alelos de um cromossomo. Assim, XNO identifica de forma simplificada um 

XNO 

Pássaro macho verde homozigoto, enquanto que XNOidentifica uma fêmea 

Verde. Os genes originais e seus mutantes serão representados conforme mostra a tabela 1. 


 

 

 

Genes Originais

 

Genes Mutantes

 

N

Presença de negro e mar­rom.

n

Presença só de marrom

Sexo-ligados

O

Oxidação total das mela­ninas

oa

os

Oxidação parcial das me­laninas

Acetinado

 

Ma

Normal, não marfim

ma

Marfim

 

P

Normal, não pastel

p

p

Pastel

Asas Cinza

 

E

Melanização completa 

e

Ausência de melaninas

 

I

Fator intenso

i

Fator nevado

 

A

Amarelo forte

a

Amarelo fraco

 

Bd

Branco dominante

bd

Lipocromo normal

 

Br

Lipocromo normal

br

Branco recessivo

Autossomais

V@

Presença do vermelho

v

Ausência do vermelho

 

M

Não mosaico

m

Mosaico

 

Op

Normal, não opalino